Minotouro levanta o público e descarta aposentadoria no UFC – Esportes

O veterano Rogério Minotouro foi o grande destaque do UFC São Paulo, levando o público ao delírio com uma ótima vitória. Em um card em que a maioria dos lutadores levantou a bandeira brasileira para comemorar, foi ele quem emocionou os fãs e mostrou superação dentro do octógono ao derrotar Sam Alvey por nocaute.

Aos 42 anos, Minotouro mostra que ainda pode dar alegrias aos torcedores antes de pensar em sua aposentadoria. Ele ganhou no mesmo palco em que havia sido nocauteado por Ryan Bader em sua última luta, realizada em novembro de 2016. Depois do combate, o baiano precisou passar pelos maiores desafios de sua carreira: acabou se machucando e ainda cumpriu suspensão preventiva por doping, ficando dois anos longe das lutas profissionais.

“Eu voltei com vontade, até com mais vontade do que estava antes. Eu treinei muito bem este mês”, contou o meio-pesado, revelando os dramas que viveu antes do combate. “Não queria falar muito, mas mês passado, 45 dias antes da luta, eu estava meio inseguro, estava com 109 kg. Estava sem treinar nada. Quando marcaram a luta, tive uma infecção na perna e passei dez dias hospitalizado. Foi difícil voltar”, explicou.

O veterano não esconde a felicidade por ter conquistado mais uma vitória em sua carreira, que conta com seis triunfos e cinco reveses no Ultimate, e ressalta que o resultado dá mais motivação ainda para seguir a carreira e não pensar em sua aposentadoria, pois ele ainda tem três lutas em seu contrato com o UFC e pretende realizar elas no período de um ano.

“Estava na minha cabeça que essa não seria uma volta perfeita, porque tinha um mês pra lutar, cheio de antibiótico no corpo… A gente fez um trabalho forte de preparação física, e eu realmente só consegui o gás nos dez últimos dias de treino. Eu pretendo lutar novamente. Quero sentir o octógono novamente. Enquanto eu tiver condição de treinar normalmente e enquanto essa lesão nas costas não me tirar, eu pretendo continuar a lutar”, afirmou.

O brasileiro avalia que sua vitória não foi fácil, mas espera que um triunfo após tantas dificuldades afaste os rumores sobre o fim de sua carreira. “Eu sou um lutador com 42 anos e talvez não tenham outros lutadores da minha idade. Tinha o Dan Henderson, o Randy Couture, mas hoje tem pouca gente que eu conheço que esteja lutando bem. Com certeza, eu tenho de pensar na época de aposentadoria, não está fora de cogitação. Mas acho que essa performance afasta um pouco esta conversa. Quero lutar ainda este ano”, disse.

Em recente entrevista ao Estado, Minotouro já havia declarado que gostaria de realizar mais uma luta ainda em 2018 e revelou que pretende subir no octógono em dezembro. Além disso, o brasileiro reforçou que está conciliando os treinamentos com a sua vida de empresário, profissão que deve seguir após pendurar as luvas.

“Sou empresário. Tenho uma rede de academias e estou fazendo muitos trabalhos com professores, treinamentos e dando aula. Acho que essa é a minha perspectiva para o futuro, continuar trabalhando com eles. Temos mais de dez mil alunos hoje no Brasil, contando todas as redes de academias”, comentou.

O trabalho com a rede de academias ainda conta o reforço da família. “Minha mulher e minha irmã também participam. Hoje estamos desenvolvendo produtos que vão desde quimono até roupas, luvas e bebidas. Tem de tudo. Também temos feito projetos sociais e palestras”, completou.

O evento em São Paulo foi a última parada no Brasil neste ano. Para 2019, a previsão é que três sejam realizados, um deles numerado, ou seja, com grandes nomes no card, e serão provavelmente em Curitiba, Fortaleza e São Paulo. Com isso, a cidade do Rio de Janeiro ficaria fora.

 

‘O Mistério do Relógio na Parede’ lidera as bilheterias nos EUA – Cultura

O Mistério do Relógio na Parede, fantasia dirigida por Eli Roth com base no popular livro infantil de John Bellairs, encerrou o fim de semana na liderança das bilheterias americanas.

O filme, que conta com Jack Black e Cate Blanchett em seu elenco, bateu O Albergue como a melhor estreia do diretor, arrecadando 26,8 milhões de dólares nos Estados Unidos, além de 3,1 milhões de dólares no exterior.

Entre os estreantes da semana, um dos principais títulos foi Fahrenheit 11/9, documentário político de Michael Moore que critica a eleição presidencial de 2016 e o subsequente mandato de Donald Trump à frente da Casa Branca. No entanto, o filme rendeu abaixo das expectativas, fazendo 3,1 milhões de dólares. 

Em seu segundo fim de semana em cartaz, Um Pequeno Favor ficou na vice-liderança das bilheterias, com 10,4 milhões de dólares, pouco acima do terror A Freira, que faturou 10,2 milhões de dólares.

Exibido apenas em quatro cinemas, a cinebiografia Colette, sobre a escritora francesa que foi obrigada a publicar seus livros sob o nome do marido, arrecadou 156 mil dólares.

Outro lançamento limitado foi The Sisters Brothers, uma comédia situada no Velho Oeste, dirigida por Jacques Audiard, com 122 mil dólares em quatro salas.

‘O Mistério do Relógio na Parede’ lidera as bilheterias nos EUA – Cultura

O Mistério do Relógio na Parede, fantasia dirigida por Eli Roth com base no popular livro infantil de John Bellairs, encerrou o fim de semana na liderança das bilheterias americanas.

O filme, que conta com Jack Black e Cate Blanchett em seu elenco, bateu O Albergue como a melhor estreia do diretor, arrecadando 26,8 milhões de dólares nos Estados Unidos, além de 3,1 milhões de dólares no exterior.

Entre os estreantes da semana, um dos principais títulos foi Fahrenheit 11/9, documentário político de Michael Moore que critica a eleição presidencial de 2016 e o subsequente mandato de Donald Trump à frente da Casa Branca. No entanto, o filme rendeu abaixo das expectativas, fazendo 3,1 milhões de dólares. 

Em seu segundo fim de semana em cartaz, Um Pequeno Favor ficou na vice-liderança das bilheterias, com 10,4 milhões de dólares, pouco acima do terror A Freira, que faturou 10,2 milhões de dólares.

Exibido apenas em quatro cinemas, a cinebiografia Colette, sobre a escritora francesa que foi obrigada a publicar seus livros sob o nome do marido, arrecadou 156 mil dólares.

Outro lançamento limitado foi The Sisters Brothers, uma comédia situada no Velho Oeste, dirigida por Jacques Audiard, com 122 mil dólares em quatro salas.

Panamá tira registro de navio usado para salvar imigrantes no Mediterrâneo e culpa Itália – Internacional

GENEBRA – A Autoridade Marítima do Panamá retirou o registro do navio Aquarius 2, usado no Mediterrâneo para salvar imigrantes e resgatar barcos que estão naufragando entre o norte da África e o sul da Europa. Com a exclusão, a rota entre a Líbia e o continente europeu ficará sem um barco de resgate de entidades independentes. 

Ao longo dos últimos dois anos, por pressão política, mais de uma dezena de embarcações foram impedidas de atuar. O Aquarius transporta hoje 58 sobreviventes. Na prática, quando o barco ancorar pela próxima vez em um porto, sua bandeira será retirada e não poderá mais navegar. 

A ONG SOS Mediterranee, uma das entidades que administram o barco, denunciou que o Panamá foi forçado a revogar o registro “sob pressão política e econômica flagrante do governo italiano”. A autoridade panamenha se justificou: “Infelizmente, é necessário que o Aquarius seja excluído de nosso registro, porque significa um problema político para o governo panamenho e para as embarcações panamenhas que chegam aos portos europeus”. 

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, garantiu que não houve pressão. Mas acusou o Aquarius 2 de ter ignorado instruções da guarda costeira da Líbia e minado o trabalho das autoridades. “Eles podem mudar o nome do barco e a bandeira outras mil vezes. Mas os portos italianos ficarão fechados a eles”, disse, de acordo com a imprensa italiana. Há dois meses, ele acusou o barco de ser um “serviço de táxi” para migrantes. 

Reveja: polêmica em alto mar

O governo italiano ameaçou recentemente vetar o orçamento da União Europeia se não houvesse uma ofensiva contra a imigração. “Esta situação condena centenas de homens, mulheres e crianças, que buscam desesperadamente segurança, à morte no mar e é um forte golpe contra o trabalho do Aquarius”, disse a SOS Mediterranee.

Desde o começo do ano, mais de 1,2 mil pessoas se afogaram ao tentar cruzar o Mediterrâneo. “A chance de afogamento hoje é três vezes maior do que para os que fizeram o mesmo trajeto em 2015”, indicou a ONU em comunicado.

Palco desaba e deixa feridos durante evento infantil em Santo André – São Paulo


Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2018 | 18h50

Atualizado 23 Setembro 2018 | 19h06

SÃO PAULO – Pelo menos sete pessoas ficaram feridas após o palco de um evento infantil desabar no centro de Santo André, no ABC Paulista, na tarde deste domingo, 23. As causas do acidente ainda são desconhecidas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), informações preliminares indicam que o acidente ocorreu em uma casa de eventos na rua Gestrudes de Lima, no centro da cidade, durante um show de talentos infantil. Segundo a pasta, onze pessoas ficaram feridas sem gravidade e foram socorridas a um hospital na cidade. Militares do Corpo de Bombeiros no local infomam outro número e dizem que há pelo menos sete vítimas – algumas delas são crianças.

Segundo a pasta, o evento contava com a participação de várias crianças, mas ainda não é possível saber se alguma delas está entre as vítimas.

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros atuam no local. 

 

Polícia ouve nos próximos dias alunos envolvidos em agressão a professor de Rio das Ostras – Educação

RIO – A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) informou neste domingo, 23, que os alunos envolvidos no caso de agressão ao professor de Língua Portuguesa Thiago dos Santos Conceição, de 31 anos, começarão a ser ouvidos nos próximos dias.

O caso aconteceu na última terça-feira, 18, no Centro Integrado de Escola Pública (Ciep) Mestre Marçal, em Rio das Ostras, na Região dos Lagos. O inquérito foi instaurado após a divulgação de um vídeo nas redes sociais.

De acordo com informações divulgadas pela polícia durante a semana passada, foram identificados quatro alunos, entre eles o autor do vídeo e um maior de idade, que podem ser indiciados por desacato, ameaça, constrangimento ilegal, tentativa de lesão corporal e dano ao patrimônio público. 

Na sexta-feira, o professor conversou com o Estadão. Segundo ele, as agressões e manifestações racistas na turma de 9º ano, com alunos na faixa de 17 e 18 anos, eram rotineiras. “No telefone do garoto tem toda a filmagem dessa e de outras brutalidades que eles vêm fazendo. Já aconteceu confusão com funcionário da escola em que o guarda deu tapas no rosto de um garoto, e ele revidou. Entrei em fevereiro no Ciep, como temporário. Sabia que seria um ambiente difícil, mas no meio do caminho percebi que seria pior”, disse.

Após a divulgação das agressões, Conceição foi afastado da turma e agora deixou a escola, onde dava aulas há sete meses. Ele diz ter se sentido ameaçado. “ Tem um ditado popular que diz: ‘Quem ameaça faz’”, afirmou. “Não quero pagar para ver. Saí de Rio das Ostras e não volto”, completou. 

Apesar da revolta, o professor defende uma ação pedagógica para mudar o comportamento dos alunos. Para ele, fatores como negligência dos pais e outras questões sociais levaram àquela situação. “Não adianta transferi-los de escola, e outro colega passar pelo que passei”, disse o professor, frisando que acredita na educação. “Eu tenho esperança de que esse cenário pode mudar”, completou. 

O vídeo, divulgado na rede por um dos alunos da turma, tem cerca de três minutos. As imagens mostram um dos estudantes arremessando uma pochete em direção ao professor, um aluno rasga uma das provas, Conceição é empurrado e xingado.

Quênia libera exibição de filme LGBT que concorreu em Cannes – Cultura

O filme queniano Rafiki, história de amor entre duas mulheres que havia sido apresentado no Festival de Cannes, teve sua exibição liberada no país. A decisão foi tomada nesta sexta-feira, 21, pela juíza Wilfrida Okwany.

A projeção, que havia sido proibida no Quênia, foi autorizada pelo Supremo Tribunal por apenas uma semana, para cumprir um dos requisitos do Oscar. 

Dirigido por Wanuri Kahiu, que é coautora do roteiro ao lado de Jenna Cato Bass, o filme acompanha o romance proibido vivido por Kena e Ziki, interpretadas por Samantha Mugatsia e Sheila Munyiva.

“Nossa Constituição é forte! Agradecemos à liberdade de expressão! Conseguimos! Vamos divulgar as datas de exibição em Nairóbi em breve”, escreveu a diretora do filme em uma rede social.

No Quênia, não é expressamente ilegal um cidadão declarar sua homossexualidade, mas a lei do país proíbe “a conjunção carnal que vai contra a natureza”.

 

Vice de Bolsonaro, Mourão retoma agenda no Rio Grande do Sul – Política

O general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, retomou neste domingo, 23, a agenda que havia interrompida na semana passada, depois de enfrentar desgastes dentro da campanha por declarações polêmicas e ser recomendado a reduzir a atuação eleitoral. Mourão viajou a Santo Ângelo, a cerca de 440 km de Porto Alegre (RS), onde cumpre agenda. Ele vai permanecer no Rio Grande do Sul até quinta-feira. Na semana que antecede as eleições, o general Mourão fará campanha em Brasília e São Paulo.

No sábado, 22, o militar da reserva almoçou no Gávea Golf Clube, no Rio de Janeiro, com o economista da campanha Paulo Guedes para “se conhecerem melhor” e “afinar o discurso econômico”, conforme o candidato a vice-presidente revelou ao Estado. Mourão e Guedes foram “enquadrados” por Bolsonaro, no início da semana e, desde então, reduziram suas atividades. O general estava evitando a imprensa e Guedes cancelou encontro com investidores, depois de defender a volta da CPMF e ter de dar explicações, justificando que ela viria para substituir outros impostos, e não como um novo tributo. 

Guedes disse que o encontro de sábado com Mourão foi para discutir temas da pauta de economia e de infraestrutura de um eventual governo de Bolsonaro. “Eu coordeno uma equipe de mais de 30 economistas que trabalham no programa econômico e o general Mourão coordena uma equipe semelhante na área de infraestrutura. São áreas que conversam. Não falamos de política no encontro”, afirmou Guedes. “O almoço foi para afinar o discurso econômico entre eu e o Paulo. Também serviu para nos conhecermos mais, pois ainda não tínhamos tido a oportunidade de conversar com calma. Foi muito bom, uma vez que a visão liberal na busca de soluções nos une”, declarou o general Mourão.

 

Corinthians supera erro de arbitragem, empata com o Inter e ajuda o São Paulo – Esportes

O Corinthians teve de correr atrás de um erro da arbitragem para empatar com o Internacional por 1 a 1, neste domingo, em sua Arena em Itaquera, e de tabela ajudou o rival São Paulo a se manter na liderança isolada do Campeonato Brasileiro. No gol do time gaúcho, Leandro Damião estava em posição irregular, mas na etapa final os paulistas igualaram o marcador.

Jair Ventura montou o Corinthians com quatro jogadores na frente, sem um centroavante fixo, com Jadson muitas vezes flutuando como o jogador mais avançado e três meias ajudando na frente e na marcação: Romero, Mateus Vital e Clayson. E com essa formação o time começou melhor e quase abriu o placar com Douglas, em vacilo da zaga, mas a bola foi para fora.

Depois, Fagner teve ótima chance. Ele recebeu na direita, chutou, mas Marcelo Lomba espalmou. Só que aos poucos o Inter foi acertando o posicionamento e a marcação no adversário. E a partir daí conseguiu amarrar o jogo e evitou que sofresse muitos perigos.

Com essa postura mais cautelosa do Inter, o duelo diminuiu em emoção e os dois lados pouco produziram. Só que antes do intervalo, o Inter chegou ao gol em um erro grave da arbitragem. Em uma falta da intermediária, Edenilson cruzou e Leandro Damião mandou para o gol. Ele e outros três companheiros estavam impedidos, mas a arbitragem validou o lance.

No segundo tempo, antes de a bola rolar, os jogadores do Corinthians pressionaram a arbitragem e reclamaram do lance. O time também insistiu mais e logo chegou ao gol. Numa cobrança de escanteio de Jadson, Romero cabeceou, a bola bateu na trave e sobrou para Douglas, sozinho, mandar para o gol, empatando a partida.

O Inter sentiu o golpe e recuou com todos os jogadores atrás da linha da bola. Só que o Corinthians tinha dificuldade de entrar na área adversária e arriscava em chutes de fora da área. Pedrinho tentou, mas Lomba segurou. O time gaúcho respondeu na mesma moeda com Patrick, mas Cássio estava atento. E o duelo terminou empatado por 1 a 1.

Na quarta-feira, o Corinthians volta a campo para enfrentar o Flamengo, em sua arena em Itaquera, pelo jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil. Na partida de ida, os paulistas seguraram o empate sem gols e agora necessitam apenas de uma vitória simples sobre os cariocas para chegar à decisão do torneio nacional.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 1 x 1 INTERNACIONAL

Corinthians: Cássio; Fagner, Léo Santos, Henrique e Danilo Avelar; Gabriel e Douglas (Araos); Romero (Emerson Sheik), Jadson, Mateus Vital (Pedrinho) e Clayson. Técnico: Jair Ventura.

Internacional: Marcelo Lomba; Zeca (Fabiano), Emerson Santos, Klaus e Iago; Edenilson, Rodrigo Dourado e Patrick; Nico López (Rossi), Leandro Damião e William Pottker (D’Alessandro). Técnico: Odair Hellmann.

Gols: Leandro Damião, aos 44 minutos do 1º tempo; Douglas, aos 4 minutos do 2º tempo.

Juiz: Eduardo Valadão (GO).

Cartões amarelos: Rodrigo Dourado e Patrick (3º).

Público: 26.916 pagantes.

Renda: R$ 1.149.396,60.

Local: Arena Corinthians, em São Paulo.

 

“Marcha para a vida” leva protesto contra o aborto para as ruas de Berlim

O protesto contra o aborto não é novo no cenário urbano de Berlim. A “Associação para o direito a vida” convoca, anualmente, pessoas para ir às ruas. O moti deste ano foi “Contra o aborto para todas as crianças” e teve muito mais participantes do que nos anos anteriores e isso, por motivos muito além da questão do aborto e seus intrísecos desdobramentos culturais, ideológicos e religiosos. A grande adesao da passeata de 2018 teve motivação política como um espelho da volta à parametros e conceitos conservadores e retrógados.

Com a Alemanha vivendo um período deimensa crise sobre o que é democracia, qual a melhor maneira de exercitá-la e de galopante ceticismo em partidos políticos estabelecidos, levou em 2018, um número bem maior de pessoas às ruas na tarde de sábado (22.). Aproximadamente 5.000 atestam as fontes de jornais berlinenses.

“É tempo de uma coalizão da consciência”

Enquanto a política de Merkel, outrora tradicionalmente arraigada no centro político, o tal veiculado “Centrão”, as forças populistas não tinham vez, não tinham onde se posicionar, tinham dificuldades em conquistar um segmento político. Com a chamada “Crise dos Refugiados” em 2015 e o “escorregar” político de Merkel para a esquerda liberal, quando decidiu abrir as portas para os refugiados presos na estação ferroviária de Budapeste, o centro político da Alemanha ficou vazio.

Forças populistas conservadoras e retrógradas entenderam a chance do momento. Ocuparam o lugar. Não somente no Brasil, nos EUA, mas também na Alemanha a direita nacionalista e populista surge não “somente” dos extremos, de eleitores que ficavam longe das urnas nos dias de eleição e que já haviam capitulado com o sistema político como tal, mas do meio da sociedade. Enquanto essa postura de ideologia acirrada dos extremos ocupa o centro, a confusão social é visível, perigosa e coloca a democracia frente à grandes desafios.

Não ao assédio sexual, não ao aborto

Também os populistas e os de direita nacionalista, membros do partido “Alternativa para a Alemanha” (AfD na sigla) descobriam a passeata como uma plataforma para se enfronhar em setores conservadores, catequizar leitores. Volker Münz, membro da bancada da AfD no parlamento alemão estava presente. Em declaração ao jornal Berliner Zeitung ele que é membro do grupo “Cristãos na AfD” afirmou que é “importante que sejam impedidas novas medidas para facilitar o aborto”. Markus Dröge, da igreja evangélica decidiu não tomar parte na passeata, por considerá-la usada indevidamente pelos populistas.

Aspecto jurídico

De acordo com o parágrafo §218 do Código Penal alemão (StGB, na sigla), o aborto na Alemanha é proibido. A pena estipulada é de três anos. Porém a legislação prevê uma cláusula que estipula que se o aborto é feito depois de um aconselhamento em uma instituição média reconhecida pelo Estado sob o teto do Ministério de Assuntos Sociais e durante as 12 semanas de gestação, o aborto continua sendo crime, mas livre de penalização. As mulheres que decidem pelo aconselhamento, recebem uma indicação e podem realizar o aborto em consultórios médicos. Porém é expressamente proibido que a médica ou médico que fez a indicação, realize o procedimento. Além da cláusula da obrigatoriedade da consulta, o código também prevê exceções em caso de abuso sexual e de estupro, assim como se for comprovado que a gravidez coloca em risco a saúde da gestante. Em caso de gravidez em meninas abaixo dos 14 anos, não se faz necessário o aconselhamento prévio à curetagem.

A lei que descriminaliza o aborto entrou em vigor na antiga Alemanha Oriental em lei aprovada em 0. de marco de 1972. No contexto da Unificação dos dois Estados em 03 outubro de 1990, deu-se a necessidade de nivelar por cima, da perspectiva dos direitos de auto-decisao das mulheres sobre o que acontece com o seu corpo sem interferência do Estado e sem criminalização. Não “somente” nesta lei, o governo comunista se mostrava mais solícito com o papel das mulheres na sociedade não somente por motivos nobres. Na época do preâmbulo de aprovação da lei a ser vigente em todo o país já unificado, o debate social foi acirrado, polêmico e emocional e durou meses.

Mesmo com todas as diferenças políticas e ideológicas, o tema do aborto, também como desdobramento da Revolução de 1968 na Europa Ocidental, foi discutido de forma controversa na Alemanha reacionária da época. Em 1971 a revista “Stern” publicou uma matéria na qual 374 mulheres confessavam terem abortado, “burlado a lei”.

Essa matéria serviu para levar o debate para o meio da sociedade. Foram essas mulheres corajosas (muitas delas perderam o emprego e o suporte de suas famílias) e tantas outras organizados pelo direito de decisão da mulher e estritamente dela, que a Alemanha hoje tem essa regra. Com os tempos retrógrados em que estamos vivendo, a discussão volta à tona com um outro cunho. Entre o argumento dos populistas é que é preciso ter mais “bebês alemães”. Na passeata de sábado no bairro do centro, Berlim-Mitte, somente um minúsculo grupo de feministas e alguns homens ousavam cantos de protesto contra a marcha retrógrada. E como uma prova do retrocesso que a sociedade alemã atravessa (e não só ela), mulheres e homens jovens também participavam, porém a maioria dos participantes era do sexo masculino, o que já é intrinsecamente contraditório. De forma ingênua e demonstrando perigosa ignorância, um cartaz afirmava: “Um homem de verdade, assume o seu filho”, como se a questão crucial fosse sobre se o pai assume a criança ou não. A gravidez representa, primeiramente e acima de tudo, uma questão biológica e ela é, indiscutivelmente, da mulher.

Foto: Paul Zinken/dpa

O contraprotesto

A passeata a favor da decisão pela mulher sobre o que deve acontecer com seu corpo também tomou as ruas de Berlim, porém sem o extra-bonus dos membros do partido populista de direita extremista, o AfD. Entretanto, as mulheres fizeram muito barulho e não pouparam em criatividade em seus cartazes: “Tirem a cruz do nosso útero“, dizia um deles. Um outro, pintado em rosa, assegurava: “EU decido” (contra o AfD e pela causa das mulheres). Um outro usava de um ataque frontal sobre os casos de crime de assédio sexual em crianças na igreja católica.

Instagram: rioberlin2018