Justiça da Turquia libera pastor americano preso desde 2016 – Internacional

A ‘viagem lisérgica’ do PT

ANCARA – Um tribunal turco da cidade de Esmirna, no oeste do país, condenou nesta sexta-feira, 12, o pastor americano Andrew Brunson a três anos de prisão por “vínculos terroristas”, mas suspendeu sua prisão preventiva e as restrições judiciais contra ele, o que permitirá que o religioso deixe o país.

O caso deste pregador evangélico, preso na Turquia em uma das ondas de expurgo ordenadas pelo presidente Recep Tayip Erdogan depois da tentativa frustrada de golpe em 2016, causou tensões diplomáticas entre Ancara e Washington e ameaçou a relação dos dois países.

O julgamento de Brunson nesta sexta em Esmirna, onde ele dirigia uma pequena congregação evangélica, foi concluído poucas horas depois de funcionários do governo americano dizerem que os dois governos tinham chegado a um acordo para garantir a soltura do religioso.

Brunson, de 50 anos, ficou preso dois anos sob acusação de terrorismo e espionagem que ele e o presidente americano, Donald Trump, dizem ser falsas. Os procuradores turcos o acusaram de ser ligado tanto a separatistas curdos quanto a uma organização liderada pelo dissidente Fethullah Gülen – acusado por Erdogan de ser o idealizador da tentativa de golpe.

O americano passou de regime fechado para prisão domiciliar em julho em razão de problemas de saúde, mas o andamento de seu julgamento ajudou a aprofundar um racha entre a Turquia e EUA, que já estavam em desacordo em razão do apoio dos americanos a combatentes curdos que lutam contra o Estado Islâmico na Síria.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, também se interessou pelo caso de Brunson e ajudou a mobilizar em relação a este caso a base de eleitores evangélicos que apoiam Trump.

Nós últimos meses, Washington passou a considerar a libertação do pastor uma prioridade e, em agosto, impôs sanções a dois membros do alto escalão do governo turco para pressionar as autoridades de Ancara.

Erdogan, no entanto, afirmou que seu governo não poderia interferir em um julgamento em andamento. Na quinta-feira, no entanto, funcionários da administração Trump afirmaram que os dois países tinham um acordo – feito à margem da Assembleia-Geral da ONU – para libertar o pastor.

O acordo, afirmaram as fontes, incluiria a suspensão das sanções americanas em troca de uma condenação reduzida a Brunson que poderia ser tanto na forma de uma condenação já cumprida – em razão dos dois anos de prisão dele na Turquia – quanto uma condenação em regime aberto – e que pudesse ser cumprida nos EUA.

Inicialmente, procuradores turcos pediram que o americano fosse condenado a 35 anos de prisão por ter espionado e ajudado terroristas usando organizações humanitárias de fachada e diálogo inter-religioso. Depois, já durante o julgamento, o pedido de condenação foi reduzido para dez anos.

Brunson foi detido durante a reação ordenada por Erdogan que resultou na prisão e condenação de dezenas de milhares pessoas, incluindo artistas, intelectuais e cidadãos comuns. / WASHINGTON POST

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *